mulher com otosclerose

Otosclerose

Tudo o que você precisa saber sobre a otosclerose.

 A otosclerose, ou otospongiose, é uma doença do metabolismo ósseo que provoca calcificação e crescimento anormal de tecido ósseo no estribo, um dos 3 ossinhos envolvidos com a nossa audição. Nesse artigo, vamos explicar tudo o que você precisa saber sobre ela.

Como funciona nossa audição?

Primeiramente precisamos aprender como funciona nossa audição. O som é captado pelo pavilhão auditivo e levado pelo conduto auditivo externo até a orelha média. Em seguida, o som provoca uma vibração da membrana timpânica, que então é transmitida para a cadeia ossicular, até finalmente chegar a cóclea. A cóclea é nosso órgão da audição. Ela irá transformar o estímulo sonoro em impulso elétrico e mandar as informações para o cérebro. 

Na figura abaixo, vemos um desenho mostrando a anatomia da orelha. Para fins anatômicos, dividimos a orelha em 3 partes – orelha externa, orelha média e orelha interna. Primeiro temos a orelha externa formada pelo pavilhão auditivo e meato acústico externo. Em seguida vem a orelha média que começa a atrás do tímpano, formando uma região chamada de cavidade timpânica. É nessa região que estão os 3 ossos da audição: martelo, bigorna e estribo. Por fim temos a orelha interna formada pelo labirinto posterior, com estruturas relacionadas com nosso equilíbrio como os canais semicirculares, e o labirinto anterior, que corresponde a cóclea e está relacionado com a audição.

Imagem esquematizando a anatomia do nosso ouvido

O que é a otosclerose?

A otosclerose é uma doença que afeta o estribo, um dos 3 ossinhos envolvidos na nossa audição. Ela provoca um endurecimento de partes desse osso, decorrentes de alterações no metabolismo ósseo. À medida que o osso vai ficando mais rígido, ele não consegue vibrar adequadamente, atrapalhando a condução do som e causando uma perda auditiva. 

Quais os principais sintomas?

O sintoma mais típico é uma perda de audição, do tipo condutiva ou de condução, que pode acometer os dois ouvidos. Classicamente, essa doença acomete principalmente mulheres. Sendo que pode ocorrer uma piora importante da audição durante a gestação. Isso porque a progressão da doença está relacionada com alterações hormonais características desse período. 

Em alguns casos, a doença não fica restrita ao estribo e acaba afetando outras estruturas da orelha interna como a cóclea. Nesses casos, a perda de audição não é de condução, sendo uma perda chamada de sensorioneural ou mista. Nesses casos, a perda auditiva pode progredir até causar uma perda quase completa da audição. Podem surgir sintomas como zumbido decorrente da perda de audição. Além de causar sintomas como tontura ou desequilíbrio quando acometem o labirinto.

Qual tratamento da otosclerose?

Existem algumas opções de tratamento, que valem a pena ser discutidas entre o médico e paciente. Como se trata de uma doença do metabolismo ósseo, podem ser utilizadas algumas medicações. Mas também existe a opção de fazer uma cirurgia ou utilizar aparelhos auditivos para recuperar a audição.

Primeiramente vamos falar da cirurgia, a estapedotomia. Nela, substituimos o estribo por uma prótese, recuperando a audição. Porém existe uma ressalva, esse procedimento é restrito aos casos de perda auditiva de condução, não sendo indicado quando já ocorreu comprometimento de outras estruturas da orelha interna.

Assim, quando a doença progride e acomete também a orelha interna, a cirurgia não é mais uma opção. O tratamento nesses casos vai depender do grau da perda de audição. O uso de aparelhos auditivos convencionais é a opção para perdas leves a moderadas. Já em perdas severas e profundas, a opção passa a ser o implante coclear. Esse aparelho é um dispositivo eletrônico colocado por cirurgia. Ele funciona através de um eletrodo, que é colocado dentro da cóclea, e assim consegue estimular diretamente o nervo auditivo. Dessa forma, ele substitui totalmente a função da orelha interna e consegue restaurar a audição. Para saber mais sobre esse dispositivo, clique aqui.

Me acompanhe nas redes sociais para mais conteúdos sobre doenças do ouvido:
Instagram: @draanamariana.otorrino
Facebook: /draanamariana.otorrino

imagem de timpano perfurado

Timpanoplastia – Cirurgia para correção do Tímpano Perfurado

Vamos falar hoje um pouco sobre a cirurgia para correção do tímpano perfurado, também chamada de timpanoplastia.

Caso você queira saber mais sobre o tímpano e o que causa a perfuração, clique aqui.

Imagem mostrando um timpano perfurado.
A cirurgia para correção de timpano perfurado resolve esse probelam

Quem deve operar?

A cirurgia para correção do tímpano perfurado é indicada para todos os pacientes que apresentam perfuração do tímpano crônica, ou seja, que já dura pelo menos 3 meses. Além disso, também levamos em consideração a idade do paciente, evitando realizar o procedimento em crianças pequenas. Não existe um consenso na literatura a respeito da idade certa, devemos levar em consideração alguns fatores. Por exemplo, o entendimento e cuidado da criança no pós-operatório, além do status do ouvido atualmente. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Além disso, é muito comum o paciente apresentar também algum grau de perda auditiva relacionada com a destruição da cadeia ossicular. A cadeia ossicular são 3 ossinhos que participam da nossa audição, o martelo, a bigorna e o estribo. Durante a cirurgia, nós avaliamos o estado deles. Caso seja necessário, podemos realizar uma reconstrução desses ossículos com cartilagem ou próteses de reconstrução.

Como é a cirurgia de correção do tímpano?

A cirurgia é feita no hospital, sob anestesia geral, o que significa que o paciente é entubado, dorme e não se lembra de nada. No procedimento, utilizamos um enxerto do próprio paciente que pode ser a fáscia do músculo temporal, um pedaço de pericôndrio ou cartilagem do próprio ouvido com o objetivo de reconstruir a membrana do tímpano. Só para exemplificar, a fáscia é uma membrana que cobre o músculo, e o pericôndrio uma membrana que recobre a cartilagem. O enxerto que utilizamos na cirurgia varia conforme o acesso e condições do paciente. Ele funciona como um suporte que permite que a membrana possa crescer novamente e fechar a perfuração.

Existem duas formas de realizar a cirurgia. Uma delas é através de um corte ou incisão atrás da orelha (acesso retroauricular). Outra opção é o acesso intra-auricular, quando todo o procedimento ocorre pelo canal do ouvido. A cirurgia dura em torno de 60-90 minutos, e o paciente em geral tem alta no mesmo dia.

Como é o pós-operatório?

Não é uma cirurgia cujo pos-operatório é doloroso. Porém alguns pacientes relatam algum desconforto no local onde foi dado os pontos. Os pontos são retirados no primeiro retorno, em 1 semana. Além disso, o paciente deve ficar em repouso na primeiro semana após a cirurgia, podendo retornar as atividades diárias após esse período. Porém sem realizar exercícios físicos de moderada intensidade por 1 mês.

Logo que opera a audição fica prejudicada. Isso porque colocamos um material reabsorvível que mantém o enxerto no local e obstrui o canal auditivo. Por isso o paciente pode sentir o ouvido entupido e uma piora da audição nos primeiros dias. Essa sensação vai melhorando com o tempo, mas pode demorar até 3 meses para se recuperar completamente. Existe a chance de mesmo fazendo a reconstrução e fechando a perfuração, não ocorrer a melhora da audição, e existe uma chance muito pequena (menos de 1% dos casos) de ocorrer uma piora da audição. 

Quais as principais complicações da cirurgia para correção do tímpano perfurado?

Alguns pacientes podem apresentar tontura logo após a cirurgia por um acometimento do labirinto que fica dentro do ouvido. Além disso, é preciso cuidado no pós-operatório pois uma infecção pode atrapalhar a cicatrização adequada. Por isso, é preciso continuar evitando contato com água, fazendo uso de tampões durante o banho. 

Alguns pacientes podem apresentar um gosto metálico logo após a cirurgia pela manipulação de um nervo chamado corda do tímpano, geralmente tem melhora espontânea com o tempo.

Tem chance da cirurgia não dar certo? Infelizmente, sim. Existe o risco da perfuração não fechar completamente e ser necessário outro procedimento. Algumas coisas contribuem para isso, como o tamanho da perfuração inicial, de características pessoais de cicatrização e da inflamação crônica do ouvido. Bem como os cuidados no pós operatório, por exemplo se ocorreu alguma infecção.

Me acompanhe nas redes sociais para mais conteúdos sobre doenças do ouvido:
Instagram: @draanamariana.otorrino
Facebook: /draanamariana.otorrino

mulher assoando nariz

Cuidados ambientais para a Rinite

Imagem de mulher espirrando, sintoma tipico de rinite alérgica.
Texto aborda os principais cuidados ambientais para rinite alérgica.

Principais medidas de cuidados ambientais para tratamento da Rinite alérgica

Quando pensamos em rinite alérgica, um pilar super importante do tratamento envolve o cuidado com o ambiente. Dessa forma conseguimos evitar o contato com os alérgenos e assim diminuir bastante as crises. A seguir, vamos falar sobre os principais cuidados ambientais para o tratamento da rinite alérgicas.

Se você quiser saber tudo sobre a rinite alérgica, como os principais sintomas, testes diagnósticos e opções de tratamento, clique aqui

Cuidados ambientais com o quarto

Nós passamos grande parte do nosso dia no nosso quarto. Então precisamos reforçar os cuidados com o quarto para diminuir as crises.

Primeiramente devemos garantir que o quarto seja um lugar bem ventilado e ensolarado. Também devemos evitar travesseiro e colchão de paina ou pena. Use os de espuma, fibra ou látex, sempre que possível envoltos em material plástico (vinil) ou em capas impermeáveis aos ácaros. 

Já em relação à cama, o recomendado é limpar o estrado da cama duas vezes por mês. As roupas de cama e cobertores devem ser trocadas e lavadas regularmente com detergente e a altas temperaturas (>55ºC) e secadas ao sol ou ar quente.

Além disso, evite deixar camas e berços grudados na parede, caso isso não seja possível, coloque na parede mais ensolarada ou que não tenha sinais de mofo. Também devemos evitar bichos de pelúcia, estantes de livros, revistas, caixas de papelão ou qualquer outro local onde possam ser formadas colônias de ácaros no quarto de dormir. Dar preferencia por brinquedos de tecido ou materiais plásticos que podemos lavar com mais frequência.

Algumas dicas se aplicam a casa toda

Além dos cuidados ambientais para a rinite que envolvem a casa, existem dicas que se aplicam a nossa casa de uma forma geral. Por exemplo, evitar tapetes, carpetes, cortinas e almofadas. Dar preferência a pisos laváveis (cerâmica, vinil e madeira) e cortinas do tipo persianas ou de material lavável. No caso de haver carpetes ou tapetes muito pesados, de difícil remoção, crie o hábito de aspirar os carpetes mensalmente.

Igualmente importante é procurar identificar e eliminar o mofo e a umidade, principalmente no quarto de dormir. Lembre-se de verificar periodicamente as áreas úmidas de sua casa, como banheiro (cortinas plásticas do chuveiro, embaixo das pias, etc.). Com o propósito de diminuir o mofo, podemos aplicar uma solução diluída de água sanitária nos locais mofados, até que consiga sua resolução definitiva. Mas devemos ter cuidado para não usa-la em excesso porque água sanitária também é um irritante respiratório. Além disso, é essencial investigar outras fontes de exposição aos fungos fora de casa, como na creche, escola e locais de trabalho.

Na hora da faxina, alguns cuidados são fundamentais.

Para começar, devemos evitar o uso de vassouras, espanadores e aspiradores de pó comuns. Por esse motivo, o ideal é passar pano úmido diariamente na casa ou usar aspiradores de pó com filtros especiais 2x/semana. Quando for fazer a faxina, afaste o paciente alérgico do ambiente para diminuir a exposição e se por acaso quem faz a faxina for o alérgico, podemos utilizar máscaras para diminuir o contato com alérgenos. Além disso, devemos evitar talcos, perfumes, desodorantes, principalmente na forma de sprays. Muito produtos de limpeza tem cheiro forte e podem ser irritantes para o nariz.

Outra dica importante se refere a viagens. Ambientes fechados por tempo prolongado (casa de praia ou de campo) devem ser arejados e limpos pelo menos 24 horas antes da entrada dos indivíduos com alergia respiratória.

E em relação aos animais de estimação?

Primeiramente devemos lembrar que nem todos que nem rinite, tem necessariamente alergia a animais. Por isso, devemos ficar atentos se os sintomas pioram em contato com o animal, e para confirmar podemos realizar testes alérgicos.

Se acaso, os seus sintomas pioram com contato com gatos ou cachorros, podem seguir as seguintes dicas. Em primeiro lugar, devemos evitar que os animais entrem especialmente no quarto e na cama do paciente, criando um ambiente seguro. Para isso, lembre-se de sempre manter a porta do quarto sempre fechada. Se for impossível, restringir o animal a uma única área da moradia e utilizar purificadores HEPA no quarto do paciente. Preferencialmente, animais de estimação para crianças alérgicas são peixes e tartarugas. 

Cuidados ambientais para quem tem alergia a pólen

Antes de tudo, precisamos lembrar que a alergia a pólen não é muito comum no Brasil. Esse tipo de alergia costuma ser mais frequente em regiões temperadas, como por exemplo na região sul do país. O teste alérgico ajuda a determinar ao que você tem alergia, e colocar em prática os principais cuidados ambientais para rinite alérgica.

Recomenda-se aos pacientes alérgicos ao pólen manter as janelas da casa e do carro fechadas durante o dia, abrindo as à noite quando têm menor contagem de pólens. Além disso, os sistemas de ventilação de casa e do carro devem ser equipados com filtros especiais para pólens. Outra dica é utilizar máscaras protetoras e óculos quando se expor ao ambiente. Os pólens podem ser transportados para dentro de casa nas roupas e em animais domésticos. Por isso, também devemos evitar deixar as roupas para secarem ao ar livre, se possível use secadora automática. Também evite realizar atividades externas nos períodos de alta contagem de pólens, entre 5 e 10 horas da manhã e em dias secos, quentes e com ventos.

Outras dicas importantes!

Primeiramente, em relação ao cigarro, não fumar e nem deixar que fumem dentro de casa e do automóvel. O tabagismo pré-natal, perinatal e pós-natal está associado a problemas respiratórios futuros ns crianças.

Outra causa de sintomas é a variação brusca de temperatura. Por isso devemos evitar banhos extremamente quentes, pois a temperatura ideal da água é a temperatura corporal. Também devemos ficar atentos quando a temperatura do ambiente está muito fria, como no outono e inverno. Da mesma forma, não devemos nos esquecer do uso intenso de ar condicionado, principalmente em dias muito quentes.

Em relação ao ar condicionado alguns cuidados são fundamentais. Assim, devemos manter os filtros dos aparelhos de ar condicionado sempre limpos. Se possível limpe-os mensalmente. Lembre-se que o ar condicionado é seco e pode ser irritante para o nariz

Dar preferência à vida ao ar livre. Esportes podem e devem ser praticados, evitando-se dias com alta exposição aos pólens ou poluentes em determinadas áreas geográficas. (Para saber sobre rinite em atletas, clique aqui)

Me acompanhe nas redes sociais para mais conteúdos sobre rinite:
Instagram: @draanamariana.otorrino
Facebook: /draanamariana.otorrino

rinite

Rinite Alérgica

Tudo o que você precisa saber sobre essa doença

Vamos falar hoje sobre tudo que você precisa saber sobre a rinite alérgica. A rinite alérgica é uma condição crônica comum que afeta milhões de pessoas ao redor do mundo. Ela ocorre quando o sistema imunológico reage de forma exagerada a substâncias no ar, como pólen, ácaros, pelos de animais e mofo. Essa reação, mediada por IgE, provoca inflamação e irritação na mucosa que reveste por dentro o nariz.

Menina espirrando, sintoma típico da rinite alérgica

Quais os sintomas da rinite alérgica?

Os principais sintomas da rinite alérgica são sensação de nariz entupido, coriza, coceira e espirros frequentes. A coceira pode afetar também garganta, céu da boca e os olhos. Nestes últimos, pode deixar os olhos vermelhos e com lacrimejamento. Em geral os sintomas se iniciam na infância, quando ocorrem apenas na idade adulta devemos pesquisar outros tipos de rinite, as chamadas rinite não alérgicas. Além disso, também devemos pensar em rinite não alérgica quando elas são desencadeadas por outros fatores como mudança de tempo, ar condicionado, perfumes ou cheiros fortes.

As substâncias que provocam os sintomas são o que chamamos de alérgenos. Os principais causadores de rinite no Brasil são os ácaros, principalmente o dermatophagoides pteronyssinus, dermatophagoides farinae e blomia tropicalis. Também são alérgenos pelos de animais como cães e gatos, penas de animais. Na região sul do Brasil e em países de clima temperado, como países europeus e Estados Unidos, o pólen de flores durante a primavera também é causa de rinite alérgica.

Para saber mais sobre o efeito da rinite alérgica em atletas, mesmo amadores clique aqui

Como saber ao que sou alérgica?

Para identificar os principais tipos de alérgenos podemos realizar testes de alergia, que podem ser medidos através do sangue ou pela resposta na pele, um teste conhecido como Prick Teste. 

No teste de Prick, nos aplicamos pequenas gotas de extratos padronizados de vários alérgenos na superfície da pele do paciente. O objetivo é permitir que os alérgenos entrem em contato com as células da pele, potencialmente desencadeando uma reação alérgica. Em seguida, iremos aguardar um período de 15 a 20 minuto. Assim que passar esse tempo, nós vamos observar a pele para verificar se houve alguma reação alérgica visível. As reações podem incluir vermelhidão, inchaço ou formação de pápulas ao redor das áreas onde os extratos foram aplicados. O tamanho e a intensidade das pápulas indicam a gravidade da alergia.

Qual o tratamento da rinite alérgica?

O tratamento da rinite alérgica se baseia em alguns pilares. Primeiramente devemos evitar o contato com os alérgenos. Com o resultado do prick teste, e sabendo exatamente o que desencadeia as nossas crises, conseguimos direcionar nossos cuidados exatamente para aquilo que nos faz mal. Por exemplo, algumas medidas simples como manter o ambiente bem ventilado, retirar do quarto itens que juntam poeira, cortinas e tapetes, já podem auxiliar bastante. Para saber mais dicas de cuidados ambientais, clique aqui.

Em segundo lugar, devemos iniciar o tratamento medicamentoso. Isto inclui o uso de antialérgicos e spray nasal de corticoides, que ajudam a controlar os sintomas e diminuem a inflamação no nariz. Outra medida importante é a lavagem nasal. Já que o hábito de lavar o nariz auxilia a remover alérgenos, e promove um melhor funcionamento do nariz, prevenindo crises de rinite.

Por fim, a imunoterapia também é uma opção de tratamento. Ela também é conhecida como “vacina da rinite” pois ajuda a dessensibilizar o sistema imunológico, reduzindo os sintomas causados pelo contato com os alérgenos. Esse é o único tratamento que muda a evolução da doença, podendo deixar as pessoas livres de sintomas por mais tempo e sem o uso de medicações. Na imunoterapia, o paciente utiliza um extrato com os alérgenos que lhe provocam sintomas. O objetivo é introduzir essas substâncias de forma controlada e gradual, para que o corpo desenvolva uma tolerância natural. Assim é possível diminuir os sintomas após o contato com os alérgenos. Esse tratamento é feito em nossa clínica, e caso você queira saber mais a respeito, e se o seu caso melhoraria com ele, é só agendar uma avaliação

Me acompanhe nas redes sociais para mais conteúdos sobre rinite:
Instagram: @draanamariana.otorrino
Facebook: /draanamariana.otorrino

Captura de Tela 2022-09-21 à(s) 11.31.09

Ronco e Apneia do sono: tudo o que você precisa saber.

Roncar não é normal, e ele pode ser sinal de uma doença mais grave, a apneia do sono. Nesse artigo falamos sobre tudo o que você precisar saber sobre essas duas doenças.

imagem mostrando homem roncando na cama e mulher incomoda com o barulho

O que é o ronco?

O barulho do ronco é resultado da vibração das estruturas presentes na nossa faringe (garganta) causado pela passagem do ar durante o sono. Nesse momento em as estruturas ficam mais flácidas pelo relaxamento da musculatura de sustentação. O som pode acontecer em algumas situações específicas. Por exemplo quando se dorme de barriga para cima, após ingerir bebidas alcoólicas ou devido ao uso de algumas medicações. Mas, independente da idade, se esse sintoma for diário ou atrapalhar a qualidade do sono, ele deve ser investigado.

O que causa o ronco?

O ronco pode ter várias causas. Por exemplo, pode acontecer por conta da obesidade. Mas também está relacionado com algumas alterações anatômicas como o desvio de septo, amígdalas e adenóide aumentadas.

O que é a apneia do sono?

O ronco também é o principal sinal de alarme para uma doença chamada apneia do sono. A apneia acontece quando há interrupção total da passagem de ar pelas vias aéreas. Nossa via respiratória é um tubo flácido como um canudo. Durante o sono há um relaxamento da musculatura da faringe fazendo com que o “tubo” fique mais frouxo e flácido. Nesse momento, ele pode acabar se fechando com a passagem do ar. Algumas pessoas já tem um tubo naturalmente mais estreito e por isso, são mais propensas a ter uma apneia. Por exemplo pessoas obesas, pela própria gordura que se acumula na garganta e base da língua. Bem como aqueles com palato flácido e amígdala hipertrófica, estão mais sujeitos a terem apneia.

Como saber se eu tenho apneia?

Os principais sintomas da apneia do sono estão relacionados ao sono. O paciente pode sentir que não teve uma noite boa e apresentar sonolência e cansaço durante o dia. Mas em alguns casos, quem suspeita da doença é o parceiro que vem reclamando dos roncos e pode até perceber essas paradas na respiração. O paciente pode até acordar com a sensação que está sufocando ou engasgado.

O que a Apneia pode causar?

O sintoma mais facilmente associado a apneia é uma noite mal dormida, causando cansaço e sonolência no dia seguinte. Entretanto esses não são os únicos prejuízos que ela pode causar. O sono é essencial para várias outras funções e habilidades do nosso corpo.

Dormir bem é essencial para a consolidação do aprendizado. Quem sofre com essa doença pode apresentar desatenção, dificuldade de se concentrar e problemas de memória. Tudo isso pode ter impacto no desempenho no trabalho ou na escola. A privação de sono ainda altera a produção de vários hormônios. Por exemplo, a grelina e leptina, que estão relacionados com a fome e a sensação de saciedade, favorecendo o ganho de peso. Além disso, altera também a produção de hormônios sexuais provocando diminuição da libido e do desempenho sexual.

A apneia prejudica, igualmente, a imunidade, nos deixando mais vulneráveis a infecções e pode até interferir na produção de anticorpos após uma vacina. Outra efeito ruim é que para possibilitar que a pessoa respire, o organismo libera adrenalina nos momentos de apneia. Ela superficializa o sono e melhora o tônus da musculatura. Por fim, a adrenalina liberada a noite durante anos, por sua vez, aumenta o risco de pressão alta e suas consequências como infarto e AVC.

Quais são as causas para se ter apneia?

A apneia tem uma origem multifatorial, o que significa que pode ser causada por vários motivos diferentes. Por exemplo, o excesso de peso e obesidade. Isso por que o excesso de gordura se deposita entre as fibras musculares. Também pode ser causada por alterações anatômicas, como desvio de septo, amídalas grandes e retrognatia. Retrognatia é quando a mandíbula (região do queixo) tem uma posição mais posterior em relação a maxila. Além disso, também contribuem para apneia fatores neuromusculares, relacionados com a resposta neural e dos músculos frente a uma apneia. Bem como o uso de medicações como sedativos e álcool em excesso. O quadro é mais comum em homens que mulheres, e em idosos.

Como é feito o diagnóstico da apneia?

Para saber se você tem apneia, é necessário fazer um exame chamado polissonografia. Esse exame é realizado durante uma noite de sono, no qual o paciente é monitorizado em vários aspectos. Existem eletrodos para captar os estágios do sono, uma cânula para medir o fluxo respiratório. Também existem eletrodos que percebem a movimentação do abdome, olhos, pernas e músculos da mastigação. Assim como também é medida a saturação (oxigênio no sangue) e a frequência cardíaca.

Qual o Tratamento da Apneia do sono?

O tratamento vai depender da gravidade da apneia, que pode ser leve, moderada ou grave, assim como da sua causa. Se houver alguma alteração anatômica, alguns procedimentos cirúrgicos podem ser feito. Por exemplo, a cirurgia para correção do desvio de septo; para retirada das amígdalas e adenóides. Outras opções também são a faringoplastia, que é uma cirurgia na parede lateral da faringe, ou ainda o avanço maxilo-mandibular. Essa cirurgia movimenta a maxila e a mandíbula para frente, aumentando o espaço posterior da faringe. Para saber mais sobre os procedimento cirúrgicos clique aqui.

Dentre os tratamentos não cirúrgicos as opções são o uso de aparelho intra-oral ou do CPAP.

O que é o aparelho intra-oral?

O aparelho intra-oral é um tipo de aparelho ortodôntico, usado dentro da boca durante o sono. Seu objetivo é trazer a mandíbula alguns milímetros para frente, e com isso, aumentar o espaço para passagem de ar na faringe. Quem faz esse aparelho é um dentista especialista em medicina de sono. Ele é responsável também para ajudar na adaptação e acompanhamento posterior .

O que é o CPAP?

O CPAP é um aparelho que tem como objetivo manter as vias aéreas abertas durante o sono. Explicando melhor como ele funciona. Ele tem uma mascara que fica presa ao nariz e eventualmente a boca. Durante um evento de apneia, esse aparelho fornece ar sob pressão e assim evita que a faringe se feche. É um tratamento bastante eficaz, indicado principalmente para casos graves de apneia. Mas nem sempre é fácil se adaptar a ele.

Ademais, existe ainda a fonoterapia. Pode ser usada para casos leves, ou ainda para complementar as outras formas de tratamento. Trata-se de um acompanhamento feito com uma fonoaudióloga, que tem como objetivo fortalecer a musculatura da boca e faringe. Além de melhorar o posicionamento da língua.

É importante que o paciente que sofre de apneia entenda a importância do tratamento. Não é apenas acabar com os roncos, mas evitar as consequências ruins da doença, principalmente cardiovasculares. Junto do médico podem avaliar as opções e propor o melhor tratamento para cada caso


Me acompanhe nas redes sociais para mais conteúdos sobre doenças do sono:
Instagram: @draanamariana.otorrino
Facebook: /draanamariana.otorrino

IMG_8387

Perda auditiva condutiva – causas e tratamentos

O que é a perda auditiva condutiva? Quais são as principais causas e opções de tratamento?

perda auditiva condutiva
Imagem ilustrativa de membrana do tímpano perfurada

Primeiro de tudo, o que é uma perda auditiva de condução?

As perdas auditivas são divididas em dois grandes grupos. Uma perda de audição pode ocorrer por uma alteração da cóclea e nervo auditivo. Neste caso sendo chamada de perda auditiva sensorioneural. Mas também pode ocorrer por qualquer fator que atrapalhe a chegada do som até a orelha interna. Nesse caso, o problema está na condução do som, por isso a perda auditiva é chamada de condutiva ou de condução. 

Nesse artigo iremos focar apenas nas perdas auditivas de condução. A fim de facilitar a compreensão, vamos analisar cada uma das estruturas envolvidas na transmissão do som até a cóclea. Assim conseguimos entender exatamente como elas podem causar uma perda de audição.

Como funciona nossa audição?

Primeiramente precisamos aprender como funciona nossa audição. O som é captado pelo pavilhão auditivo e levado pelo conduto auditivo externo até a orelha média. Em seguida, o som provoca uma vibração da membrana timpânica, que então é transmitida para a cadeia ossicular, até finalmente chegar a cóclea. A cóclea é nosso órgão da audição. Ela irá transformar o estímulo sonoro em impulso elétrico e mandar as informações para o cérebro. 

Na figura abaixo, vemos um desenho mostrando a anatomia da orelha. A orelha pode ser dividida em 3 partes – orelha externa, orelha média e orelha interna. Primeiro temos a orelha externa. Ela é composta pelo pavilhão auditivo e meato acústico externo. Em seguida vem a orelha média que começa a atrás do tímpano, formando uma região chamada de cavidade timpânica. É nessa região que estão os 3 ossos da audição: martelo, bigorna e estribo. Por fim temos a orelha interna. Ela é formada pelo labirinto posterior, com estruturas relacionadas com nosso equilíbrio como os canais semicirculares, e o labirinto anterior, que corresponde a cóclea e está relacionado com a audição.

Imagem ilustrativa da anatomia da orelha
Imagem esquematizando a anatomia do nosso ouvido

A imagem acima ajuda a entender a perda de condução. Todas as estruturas da orelha externa e média podem causar uma perda auditiva se não conseguirem transmitir o som de forma adequada até a orelha interna. Por isso, vamos falar especificamente de cada uma dessas estruturas, começando de fora para dentro.

Malformações de pavilhão auditivo e conduto auditivo externo como causas de perda auditiva

Primeiramente vamos falar sobre o pavilhão e conduto auditivo externo. Eles podem causar uma perda auditiva se estiverem malformados, como no caso das microtias, agenesias e estenoses do conduto. As microtias são alterações no formato do pavilhão auditivo. As agenesias e estenoses são alterações no diâmetro do conduto auditivo.

Essas alterações podem ser congênitas, presentes desde o nascimento, ou adquiridas, nesses casos causadas por traumas ou infecções. Dependendo do caso ou grau das alterações, elas podem ser corrigidas cirurgicamente. Nesses casos, se a anatomia normal foi restabelecida, a audição pode ser recuperada.

Já quando a cirurgia não é possível, existem outras opções de tratamento para reabilitar a audição. A primeira opção para maioria das perdas auditivas é o uso de aparelhos auditivos convencionais. Entretanto no caso de malformações externas, a anatomia alterada pode dificultar a adaptação desses aparelhos. Nesses casos, uma outra opção é a colocação de próteses auditivas ancoradas ao osso (PAAO).

O que são as próteses auditivas ancoradas ao osso?

PAAO são dispositivos eletrônicos colocados através de uma cirurgia. Seu objetivo é estimular diretamente a cóclea por condução óssea. Eles são compostos por um dispositivo externo que capta o som e transforma esse som numa vibração. Essa vibração vai estimular diretamente a cóclea, sem passar pelas outras estruturas da orelha. Assim ele “desvia” de todas as regiões que estão alteradas e não conduzem o som de forma adequada.

Cera de ouvido pode causar perda de audição condutiva?

Ao contrário das malformações, existem causas de perdas condutivas que podem ser revertidas mais facilmente. Uma das principais causas de perda auditiva temporária é a rolha de cerume. Quando ocorre o acúmulo de cera, ela obstrui a passagem do som pelo conduto, causando uma perda auditiva. A audição pode ser rapidamente recuperada com uma lavagem de ouvido. Da mesma forma, qualquer objeto ou secreção dentro do conduto auditivo, também podem causar uma perda de audição. Por exemplo, sangue ou secreção que acumulam durante infecções ou objetos colocados no ouvido como um pedaço de algodão.

Infecção de ouvido, as famosas otites, como causa de perda auditiva condutiva

Como já foi falado, as infecções de ouvido, chamadas de otites, também podem causar perda auditiva. As otites podem ser externas, acometendo pavilhão e conduto auditivo, até a membrana do tímpano, ou médias quando atingem a cavidade timpânica. No primeiro caso, o inchaço das paredes do conduto auditivo e o acúmulo de secreção no conduto, dificultam a chegada do som até a cóclea e assim prejudicam a audição. O tratamento da infecção é feito com uso de antibióticos. Quando a doença sara, a audição melhora também.

Já nas otites médias, ocorre acúmulo de secreção na região atrás do tímpano. Isso impede a passagem de som, causando perda auditiva condutiva. O tratamento é o mesmo com o uso de antibióticos. Ele também reverte a perda de audição. Mas em alguns casos, a secreção pode permanecer mesmo sem a infecção. Caso ela permaneça por mais de 3 meses é chamada de otite média serosa crônica. Então para resolver esses casos, quando a secreção não sai espontaneamente, é indicado uma cirurgia para colocação de um tubo de ventilação.

O que é o tubo de ventilação?

O tubo de ventilação é um pequeno cilindro que tem formato de carretel e funciona como um dreno. Ele é colocado na membrana timpânica e comunica a cavidade timpânica com o meato acústico externo. Dessa forma, ele evita o acúmulo de secreção e mantém uma pressão adequada dentro da caixa timpânica. Ao passo que ele restabelece as condições normais na orelha média, ele ajuda na recuperação da audição. Para saber mais sobre a cirurgia do tubo de ventilação, clique aqui.

Membrana timpânica e cadeia ossicular como causas de perda de audição

Finalmente agora, vamos focar na membrana timpânica e na cadeia ossicular. Ambas têm papel importante na transmissão do som até a cóclea. Pois é a vibração delas, que ajuda o som a chegar até a cóclea. Como já foi dito, a cadeia ossicular é formada por 3 ossos – martelo, bigorna e estribo. Esses ossos estão em contato direto e são articulados entre si. As alterações dessas estruturas que podem causar perda auditiva condutiva são: perfuração na membrana timpânica, malformações ou disjunções da cadeia ossicular.

Primeiramente vamos falar sobre perfurações na membrana timpânica. Elas podem acontecer após infecções de ouvido ou depois de um trauma, como o uso de cotonetes ou durante brigas.  Na grande maioria dos casos, elas cicatrizam espontaneamente. Mas quando isso não ocorre pode ser necessário fazer uma cirurgia para reconstruí-la. (Para saber mais sobre perfuração do tímpano e a cirurgia para corrigi-la, clique aqui).

As disjunções acontecem quando os ossos da cadeia ossicular perdem o contato entre si, geralmente após um trauma. Existem cirurgias que podem corrigir tanto as disjunções, como algumas malformações. Quando isso não for possível, todos esses pacientes podem se beneficiar do uso de aparelhos auditivos.

Otosclerose – principal causa de perda auditiva condutiva

Por fim, vamos falar de Otosclerose. A otosclerose também é uma doença da cadeia ossicular, no caso do estribo. Ela surge quando ocorre um endurecimento de partes desse osso, decorrentes de alterações no metabolismo ósseo. A medida que o osso vai ficando mais rígido, ele não consegue vibrar adequadamente, atrapalhando a condução do som e causando uma perda auditiva. Classicamente, essa doença acomete principalmente mulheres. Sendo que pode ocorrer uma piora importante da audição durante a gestação. Isso porque a progressão da doença está relacionada com alterações hormonais características desse período. 

Qual tratamento da otosclerose?

A otosclerose também tem um tratamento cirúrgico. Através de uma cirurgia chamada de estapedotomia, o estribo é substituído por uma prótese, recuperando a audição. Mesmo assim, existem casos, em que a doença pode progredir, acometendo também a orelha interna. Nessa situação, além da perda de condução começa a ter também uma perda auditiva sensorioneural. Quando temos os dois tipos de perda de audição juntos, chamamos esse quadro de perda de audição mista.

O tratamento nesses casos vai depender do grau da perda de audição. O uso de aparelhos auditivos convencionais é a opção para perdas leves a moderadas. Já em perdas severas e profundas, a opção é o implante coclear. Esse aparelho é um dispositivo eletrônico colocado por cirurgia. Ele funciona através de um eletrodo, que é colocado dentro da cóclea, e assim consegue estimular diretamente o nervo auditivo. Dessa forma, ele substitui totalmente a função da orelha interna e consegue restaurar a audição. Para saber mais sobre esse dispositivo, clique aqui.

Em resumo, existem muitas causas de perda de audição condutiva, e cada causa tem um tratamento específico. Assim, os pacientes com essa alteração em exames de audiometria devem ser avaliados individualmente por um otorrinolaringologista para propor a melhor opção para cada caso.


Me acompanhe nas redes sociais para mais conteúdos sobre doenças do ouvido:
Instagram: @draanamariana.otorrino
Facebook: /draanamariana.otorrino

Imagem ilustrativa de tímpano perfurado

Tímpano perfurado – tudo o que precisa saber esse problema

Tímpano perfurado – o que é, quais as causas, sintomas e como tratar!

Imagem ilustrativa de membrana do tímpano perfurada

Primeiro de tudo, precisamos saber o que é o tímpano?

Essa estrutura, também chamada de membrana timpânica, fica no final do conduto auditivo. Ela serve para separar a orelha externa da orelha média. Além de proteger a orelha média, ela também tem papel importante na audição. Quando o som chega no tímpano, ele vibra e transmite essa vibração para 3 ossinhos (estribo, martelo e bigorna). Como resultado disso, o som chega até a orelha interna, onde ele vai ser transmitido até o cérebro. Quando por algum motivo, essa membrana tem alguma falha dissemos que o tímpano está perfurado.

O que pode causar uma perfuração no tímpano?

São duas as causas principais. A primeira é por algum trauma que machuca o tímpano. Por exemplo, colocar algum objeto no canal auditivo. Pode ser pente, chave, dedo, mas o objeto mais comum de machucar é o cotonete. Além disso, o trauma pode ser causado por uma variação brusca de pressão. Isso pode acontecer por um tapa ou soco próximo ao ouvido, que desloca o ar, ou em atividades de lazer como o mergulho.

A segunda causa principal de tímpano perfurados são infecções do ouvido. Quando temos uma infecção, pode ocorrer o acúmulo de secreção atrás do tímpano. Se acumular muita secreção, pode causar uma perfuração. Nesse caso, ela ajuda a drenar parte do líquido acumulado.

O tímpano pode cicatrizar sozinho?

Sim! De fato, a grande maioria das perfurações cicatrizam sozinhas em cerca de 1 mês. Mas quando isso não acontece, pode ser necessário fazer uma cirurgia. O ideal é esperar pelo menos 3 meses. Assim temos certeza que a perfuração não vai fechar espontaneamente. A cirurgia para corrigir o tímpano chama timpanoplastia. Para saber mais detalhes sobre ela é só clicar aqui.

O que a gente sente quando o tímpano é perfurado?

No momento que acontece a perfuração, pode doer e até sair sangue do ouvido. Logo depois, algumas pessoas ainda se queixam de perda de audição, zumbido no ouvido e a sensação de ouvir um eco quando fala. Conforme o tímpano vai cicatrizando, os sintomas vão diminuindo até sumir espontaneamente.

Mas, e se a perfuração não fechar? Nesse casos, os sintomas podem variar. Enquanto algumas pessoas não sentem nenhum sintoma. Outras percebem uma perda de audição leve e um zumbido. Além disso, pode acontecer a saída de secreção do ouvido quando molhar no banho, na piscina ou se ficar resfriado.

Todo mundo precisa operar?

Depois que o tímpano perfurou, o primeiro passo é esperar para ver se ele não cicatriza sozinho. Caso ele não cicatrize, a cirurgia é uma opção. Ela é feita com o objetivo de reconstruir a membrana timpânica e assim diminuir os sintomas. Principalmente as infecções que são o que mais incomoda os pacientes.

Nem sempre a cirurgia consegue recuperar totalmente a audição. Isso vai depender de alguns fatores. Primeiro, vai depender dos ossinhos que ajudam na audição. Eles podem estar parcialmente destruídos pelas infecções recorrentes. Durante a cirurgia, pode ser realizada a reconstrução desses ossinhos, mas o resultado não é garantido. Outro fator importante é a orelha interna. Em alguns casos, ela também pode ser afetada por muitas infecções e já ter algum prejuízo no seu funcionamento.

Quais cuidados devo ter com o tímpano perfurado?

O principal cuidado é evitar ter infecções. Por isso, a recomendação é proteger o ouvido do contato com a água, com o uso de tampões. Podem ser feitos tampão caseiro com um algodão embebido em óleo ou com uso de tampões próprios para natação.

Me acompanhe nas redes sociais para mais conteúdos sobre doenças do ouvido:
Instagram: @draanamariana.otorrino
Facebook: /draanamariana.otorrino

Tímpano perfurado

O que é o Teste da Orelhinha?

Você sabe o que é o teste da orelhinha e qual a importância dele para ajudar a identificar casos de perda de audição em crianças?

Foto de bebe fazendo avaliação auditiva
Foto de bebe fazendo avaliação auditiva

O que é o Teste da Orelhinha?

Antes de mais nada, precisamos saber que este teste é obrigatório por lei e deve ser feito ainda na maternidade. Ele serve para avaliar a audição em recém-nascidos e detectar de forma precoce se existe algum grau de surdez. O exame feito de rotina chama emissões otoacústicas (EOAs). Mas, em alguns casos, é realizado o potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE). Ele é feito quando a criança tem algum risco para ter perda de audição. (clique aqui para saber mais sobre a perda de audição)

O exame não machuca o bebê e é feito entre o 2° e o 3° dias de vida. Se o exame vier normal, a criança pode seguir com acompanhamento apenas com o pediatra. No entanto, se o exame vier alterado, ele deve ser repetido nos primeiros 30 dias de vida. Não é preciso ficar preocupado, nem sempre isso significa um problema de audição. Muitas vezes, pode existir líquido amniótico do parto dentro do canal do ouvido nos primeiros dias de vida, dando um resultado falsamente alterado. Por isso é fundamental a confirmação do resultado.

Se o exame permanecer com alguma alteração, a criança deve ser encaminhada para uma avaliação com um otorrino. Nesse casos, é preciso realizar um exame de audição mais completo para confirmar a perda de audição e determinar o grau dela. Além de investigar sua causa. Baseado nos resultados dos exames, conseguimos avaliar qual o melhor tratamento. Isso pode variar desde o uso de aparelhos auditivos, até a realização de cirurgias como o implante coclear. (clique aqui para saber mais sobre o implante coclear)

Como são feitos os testes?

Primeiramente, vamos falar sobre as emissões otoacústicas (EOAs). Esse teste é feito introduzindo um aparelho no canal do ouvido. Esse aparelho emite um som, que vai estimular as células ciliadas externas dentro do ouvido. Essas células se contraem gerando um ruído. Em seguida, o mesmo aparelho capta essa resposta. Quando ele não capta o som, isso pode ser um sinal de que há uma perda auditiva. Mas se existir algo que atrapalhe a chegada do som até essas células, como o líquido do parto, o resultado pode vir alterado. Esse exame é totalmente indolor, e é feito com a criança dormindo.

Agora, vamos falar do PEATE. Ele é feito em crianças que têm algum fator de risco para ter perda auditiva. Também serve para complementar o teste EOAs em crianças que tiveram um resultado alterado na primeira avaliação. O PEATE é um exame mais completo. Pois ele avalia to trajeto do som desde a entrada na orelha até a resposta no tronco encefálico, parte do nosso cérebro. Ele é feito colocando eletrodos na testa e atrás da orelha. Além de um fone, que vai emitir um estímulo sonoro. Esse som chega na orelha interna e desencadeia um impulso elétrico. Esse impulso vai ser percebido pelos eletrodos gerando uma onda. Analisando as ondas formadas, é possível avaliar a atividade do nervo da audição e das estruturas do tronco encefálico.

Esse exame é um pouco mais desconfortável, e precisa da colaboração do paciente. Por isso, em crianças, o ideal é que elas estejam dormindo para fazer o exame. Quando isso não for possível, pode ser feito com sedação. O PEATE também é conhecido pelo nome de BERA (brainstem evocated response audiometry).

Quais são os fatores de risco que indicam a realização do PEATE?

  • Crianças que tiveram algum problema no parto como sofrimento fetal e falta de oxigenação adequada (quadros de hipóxia ou anóxia neonatal);
  • Recem-nascidos que permaneceram mais de 5 dias na UTI;
  • Bebês que tiveram infecções (sepse) neonatal, ou fizeram uso de medicações ototóxicas (que podem causar danos à orelha interna);
  • Crianças cujas mães tiveram diagnóstico de doenças na gestação como por exemplo sífilis, toxoplasmose, rubéola, HIV, CMV (citomegalovírus);
  • Recem-nascidos com outras doenças que podem dar perda de audição, por exemplo a síndrome de Down;

Atenção!

Uma observação importante é que mesmo que seu filho tenha um teste da orelhinha normal, o ideal é sempre observar se ele ouve bem. Existem perdas auditivas que só aparecem com o crescimento e que podem ter uma piora ao longo da vida. Por isso, se tiver qualquer suspeita de que uma criança não está ouvindo bem, deve-se repetir o exame de audição.

Me acompanhe nas redes sociais para mais conteúdos sobre doenças do ouvido:
Instagram: @draanamariana.otorrino
Facebook: /draanamariana.otorrino

IMG_0533

O que é o Implante Coclear?

Você sabe o que é o implante coclear e como ele ajuda a restaurar a audição de pessoas com perda auditiva severa a profunda?

foto de um implante coclear
Foto de implante coclear

Você sabe o que é o implante coclear?

O implante coclear, também conhecido como ouvido biônico, é um aparelho eletrônico de alta complexidade que serve para restaurar a audição de pacientes que têm perda auditiva sensorioneural severa ou profunda e que já não sentem benefício com o uso de aparelhos auditivos convencionais. (clique aqui para saber mais sobre a perda de audição)

O implante é colocado através de uma cirurgia. O seu objetivo é substituir a função da orelha interna em pessoas que já não ouvem quase nada. Para isso, ele possui um eletrodo que estimula diretamente o nervo auditivo e leva os estímulos sonoros até o cérebro.

Ele é composto por 2 partes: a unidade interna e unidade externa. A unidade externa é a responsável por captar o som do ambiente, processar esse som e transmitir para a unidade interna. A unidade interna é colocada por baixo da pele e dentro do ouvido do paciente. Ela é composta por um receptor que recebe o som processado da unidade externa, um novo processador do som e o eletrodo que leva o estímulo sonoro até dentro do ouvido e transmite os impulsos para o nervo auditivo.

São vários os benefícios do implante coclear:

  • ele restaura a audição para níveis próximos ao da normalidade em crianças e adultos que tiveram perdas de audição ao longo da vida;
  • ajuda no desenvolvimento da fala de crianças que nasceram surdas ou ficaram surdas antes de aprenderem a falar, se colocado de forma precoce;
  • melhora a comunicação e interações sociais.

Todo mundo que não ouve bem, pode receber um implante?

O implante coclear é indicado quando uma pessoa tem o diagnóstico de uma perda de audição severa ou profunda e não sente uma melhora da audição com o uso de aparelho auditivo convencional. Nesse caso, ela passa a ser considerada uma candidata ao implante coclear. Para saber se ela irá ou não receber esse dispositivo, ela deve passar por uma avaliação criteriosa. Essa avaliação é feita por uma equipe multidisciplinar. Os profissionais envolvidos são: um médico otorrinolaringologista, uma fonoaudióloga e um psicólogo.

O primeiro passo é a avaliação médica que vai analisar o tipo, grau e causa da perda de audição. Além de verificar se o pacientes têm condições clínicas, ou seja, se não tem nenhuma doença que impeça a realização da cirurgia. Ele também vai analisar a anatomia do ouvido, e avaliar se ela permite a colocação do aparelho.

O papel da fonoaudiologia consiste 3 funções principais. Primeiro, ela vai confirmar o grau de perda auditiva. Depois, avaliar a resposta do paciente com o uso de aparelhos auditivos convencionais. E, por último, analisar se o paciente possui algum código linguístico, por exemplo, se ele aprendeu a falar, se faz leitura labial. Isso é super importante em adolescentes e adultos que são candidatos ao implante, para conseguir saber melhor quais os beneficios que o implante irá proporcionar.

Já o psicólogo vai avaliar se o paciente está preparado para cirurgia e para o processo de reabilitação após o procedimento. Também é super importante avaliar o grau de expectativa do paciente e possíveis limitações. A família do paciente também é avaliada pois sua participação é super importante durante todo o processo.

Como é a cirurgia e o pós-operatório?

Uma vez que o paciente é considerado apto para o procedimento, é marcada a cirurgia. Ela é feita em ambiente hospitalar e sob anestesia geral, ou seja, o paciente é entubado e permanece dormindo durante o tempo todo. A cirurgia demora em torno de 2 horas. É realizado um corte atrás da orelha, por onde é colocado a unidade interna por debaixo da pele. Em geral, o paciente tem alta no mesmo dia e permanece com os pontos cirúrgicos por 7-14 dias.

O paciente só recebe a unidade externa de 30 a 40 dias depois da cirurgia, quando o processo de cicatrização já está mais avançado. A partir de agora, inicia uma nova fase. Ocorre a ativação do implante. Seguido por um acompanhamento regular com a fono. Durante esse período, são feitos ajustes de programação do implante conforme as queixas e auxiliando na adaptação do paciente ao dispositivo.

A reação inicial varia muito, sendo esse momento, em geral, de muita ansiedade para todos. Em adultos que perderam a audição durante a vida, o processo costuma ser mais tranquilo. Isso porque o cérebro já estava acostumado a perceber o som antes da perda. Nesses casos, geralmente, os resultados são mais rápidos. Já em crianças com perda congênita (de nascença) ou adultos que nunca ouviram, é comum que esse momento cause uma certa estranheza e até algum grau de desconforto. Como o cérebro não estava acostumado a receber esse tipo de estímulo,  ele pode ser interpretado de formas diferentes. Adolescentes e adultos relatam perceber o som como se fosse uma vibração.

Me acompanhe nas redes sociais para mais conteúdos sobre doenças do ouvido:
Instagram: @draanamariana.otorrino
Facebook: /draanamariana.otorrino

WhatsApp Image 2022-02-18 at 17.36.35

Rinite alérgica em atletas – tem relação?

Você sabia que atletas de endurance, que praticam corrida, ciclismo de estrada e triatlo estão mais sujeitos a terem sintomas de rinite alérgica?

Atletas de endurance estão mais sujeitos a terem sintomas de rinite

Atletas tem mais sintomas de rinite alérgica?

Sim! Já existem alguns trabalhos que avaliaram a incidência de rinite em atletas olímpicos e os números chamam a atenção. Nas olimpíadas de Sydney e Atenas, 18 e 13% de todos os atletas relataram ter rinite. Sendo que em atletas praticantes de natação e ciclismo, esses números são ainda mais altos – 19,3 e 17,3%, respectivamente na Olimpíada de Pequim. Além disso, a incidência de rinite tem aumentado com o tempo. Na delegação australiana de 1976, apenas 9,7% dos atletas referiram sintomas de rinite, enquanto na Olimpíada de 1996, o número subiu para 21,9%!. Bastante, né?

Mas por que isso acontece? Em atletas de endurance isso pode ser explicado pelo aumento da ventilação e maior tempo de exposição a aeroalérgenos (substâncias que provocam os sintomas da rinite). Durante o exercício, a ventilação, isto é, a chegada do ar ao pulmão, pode chegar a 200 L/min. Esse valor é 6x maior que o normal. Esse aumento deixa a mucosa nasal mais tempo em contato com essas substâncias que provocam alergia.

Outro fator que contribui é o clima. Atletas de endurance acabam fazendo treinos mais longos e ao ar livre. Por isso estão mais expostos ao pólen, poeiras e a poluição em grandes centros urbanos. Mesmo quando treinam dentro de academias, esses ambientes têm ar condicionado o que causa ressecamento nasal. O ressecamento do nariz, pode alterar a concentração das secreções nasais. Isso altera o funcionamento normal do nariz deixando eles mais suscetíveis a lesões e inflamação, e favorecendo o surgimento de doenças nasais.

A natação também pode causar rinite

Outro grupo de atletas que acaba sofrendo bastante de rinite são os nadadores. Mas neles o efeito é por outro motivo. O cloro presente nas piscinas, ao entrar em contato com substâncias químicas do suor, urina e cabelo, reage formando subprodutos. Um deles é a clorina que pode causar irritação no nariz e está relacionada com a rinite. Nessa caso, estamos falando de uma rinite química. Esse quadro pode acontecer em pessoas que não têm sintomas de rinite, mas também pode ser mais frequente em alérgicos, que já têm uma inflamação basal do nariz.

A rinite e seus impactos no desempenho esportivo

A rinite quando não tratada pode atrapalhar a respiração pelo nariz, o que pode prejudicar o desempenho esportivo. Conforme a intensidade do exercício aumenta, temos a tendência a respirar mais pela boca. Mas isso não quer dizer que a respiração pelo nariz deixe de acontecer. Inclusive se você não respirar bem pelo nariz, pode ter um prejuízo na sua performance. (clique aqui para ler um post que fala sobre respiração e desempenho esportivo)

Se você sofre de rinite, saiba que embora ela não tenha curta, nem tratamento! O primeiro passo é evitar o contato com as substâncias que provocam os sintomas. Uma dica boa é lavar o nariz com soro fisiológico logo após o treino, diminuindo o contato com substâncias que causam alergias. Além disso, podem ser associadas medicações por boca e de aplicação no nariz. Para isso, procure um médico otorrinolaringologista. (clique aqui para saber sobre a rinite alérgica)

Me acompanhe nas redes sociais para mais conteúdos sobre doenças do sono:
Instagram: @draanamariana.otorrino
Facebook: /draanamariana.otorrino