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Faringoplastia

Imagem de centro cirurgico onde é realizada a cirurgia

Nesse artigo, vamos tratar principalmente da faringoplastia. A faringoplastia é uma das cirurgias que podemos realizar como opão de tratamento de quadros de roncos e apneia do sono. Mas antes de mais nada precisamos fazer algumas considerações sobre essas doenças. Existem diversas causas para esses sintomas, então não são todos os pacientes que irão se beneficiar de uma faringoplastia. Cada caso deve ser avaliado individualmente, assim conseguimos propor o melhor tratamento para cada um.  

Já fiz um texto aqui no blog falando especificamente sobre os roncos e apneia no sono, para saber mais sobre essas doenças clique aqui.

Quais as cirurgias para os roncos e apneia do sono?

Além da faringoplastia, existem algumas outras cirurgias que podem auxiliar no tratamento de roncos noturnos e apneia do sono. Por exemplo, um paciente que tem roncos noturnos sem apneia, e apresenta um desvio de septo pode se beneficiar de uma septoplastia. (Para saber sobre essa cirurgia, clique aqui). 

Outras cirurgias que também podem ser benéficas para o paciente que tem apneia. Uma delas é o avanço maxilo-mandibular, para pacientes que apresentam retrognatia, sendo realizada por um cirurgião buco maxilo facial. Existem também cirurgias que atuam na base da lingua, como a cirurgia robótica e ainda a colocação de um implante que estimula o nervo hipoglosso. Esse procedimento embora já seja realizado de forma rotineira na europa e EUAs, ainda não foi liberado pela ANVISA para ser feito no Brasil. Também devemos ter em mente que a cirurgia bariátrica por promover uma grande perda de peso pode auxiliar no tratamento da apneia do sono em pacientes obesos.

Mas agora vamos focar especificamente na faringoplastia

Quem deve fazer uma faringoplastia? 

O objetivo da cirurgia é diminuir os tecidos que vibram, repoisicionar a musculatura da garganta e assim ampliar o espaço lateralmente da faringe. Por isso, ela é indicada para pacientes que durante o exame físico sejam vistas alterações no palato. Durante a investigação, o médico poderá solicitar 2 exames que ajudam a determinar o local de estreitamento da via aérea e propor o melhor procedimento para cada caso. 

Um desses exames é a nasofibrolaringoscopia, uma câmera que entra dentro do nariz e avalia a anatomia de nariz, faringe e laringe e vai sugerir possíveis locais de estreitamento. Outro exame é a sonoendoscopia. Nele, utlizamos a mesma câmera da nasofibrolaringoscopia mas o paciente está dormindo sob efeito de uma sedação em um hospital. O objetivo é deixar o paciente em condições semelhantes ao sono noturno para tentar determinar de forma mais precisa os locais de estreitamento da via aérea. Esse exame já está disponível no Brasil, mas infelizmente não está dentro do rol da ANS. Por isso, ele não é coberto pelo plano de saúde e somente é realizado de forma particular em alguns hospitais.

Como é a cirurgia da faringoplastia?

A cirurgia é feita no centro cirúrgico sob anestesia geral. O procedimento todo é realizado por dentro da boca, sem cortes externos. Durante a cirurgia, realizamos a remoção das amígdalas e damos alguns pontos para reposicionar e tensionar alguns músculos da garganta. Para os pontos utilizamos um fio reabsorvível, então eles não precisam ser retiramos e serão reabsorvidos pelo corpo com o tempo. O paciente em geral opera e tem alta no mesmo dia.

Como é o pós-operatório da faringoplastia?

O pós-operatório é bastante doloroso, sendo essa a parte mais chata da recuperação. O paciente vai precisar usar várias medicações analgésicas para controle da dor. Outro cuidado importante é referente a alimentação, que vai estar prejudicada devido a dor. O ideal é dar preferência por alimentos líquidos e pastosos na primeira semana, sempre de temperatura fria a morna. Conforme o paciente vai se sentindo melhor, ele consegue ir progredindo a alimentação até retornar ao habitual. 

O paciente deve ficar em repouso nos primeiros 7 dias, podendo retornar as atividades diárias após esse período, porém sem realizar atividades físicas de moderada e alta intensidade por 1 mês. 

No dia do procedimento, paciente pode se sentir enjoado, tanto pelas medicações usadas na anestesia. Ele pode ter engolido sangue durante o procedimento, o que causa desconforto gástrico levando até a vômitos. Na primeira semana, o paciente pode ficar com a voz mais anasalada e ocorrer o retorno de líquidos ingeridos pelo nariz. Isso ocorre por conta de um mau funcionamento temporário do palato, a região do céu da boca, esse quadro melhora espontaneamente com o tempo.

A complicação mais grave, e também mais rara, é um sangramento tardio do local operado. Infelizmente quando isso acontece pode ser necessário nova abordagem em centro cirúrgico.

Após 3 meses da cirurgia, o ideal é repetir o exame de polissonografia. Assim conseguimos saber qual foi o resultado da cirurgia. Existem casos em que ela pode não resolver completamente o quadro e algum outro tratamento adicional pode ser necessário.

Será que a faringoplastia é o ideal para mim?

Se você ronca muito ou já tem o diagnóstico de apneia do sono, uma avaliação com otorrinolaringologista pode ajudar a definir o melhor tratamento para o seu caso.

Dra Ana Mariana Pinho
Otorrinolaringologista – CRM 161.538 / RQE 67.469

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Timpanoplastia – Cirurgia para correção do Tímpano Perfurado

Vamos falar hoje um pouco sobre a cirurgia para correção do tímpano perfurado, também chamada de timpanoplastia.

Caso você queira saber mais sobre o tímpano e o que causa a perfuração, clique aqui.

Imagem mostrando um timpano perfurado.
A cirurgia para correção de timpano perfurado resolve esse probelam

Quem deve operar?

A cirurgia para correção do tímpano perfurado é indicada para todos os pacientes que apresentam perfuração do tímpano crônica, ou seja, que já dura pelo menos 3 meses. Além disso, também levamos em consideração a idade do paciente, evitando realizar o procedimento em crianças pequenas. Não existe um consenso na literatura a respeito da idade certa, devemos levar em consideração alguns fatores. Por exemplo, o entendimento e cuidado da criança no pós-operatório, além do status do ouvido atualmente. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Além disso, é muito comum o paciente apresentar também algum grau de perda auditiva relacionada com a destruição da cadeia ossicular. A cadeia ossicular são 3 ossinhos que participam da nossa audição, o martelo, a bigorna e o estribo. Durante a cirurgia, nós avaliamos o estado deles. Caso seja necessário, podemos realizar uma reconstrução desses ossículos com cartilagem ou próteses de reconstrução.

Como é a cirurgia de correção do tímpano?

A cirurgia é feita no hospital, sob anestesia geral, o que significa que o paciente é entubado, dorme e não se lembra de nada. No procedimento, utilizamos um enxerto do próprio paciente que pode ser a fáscia do músculo temporal, um pedaço de pericôndrio ou cartilagem do próprio ouvido com o objetivo de reconstruir a membrana do tímpano. Só para exemplificar, a fáscia é uma membrana que cobre o músculo, e o pericôndrio uma membrana que recobre a cartilagem. O enxerto que utilizamos na cirurgia varia conforme o acesso e condições do paciente. Ele funciona como um suporte que permite que a membrana possa crescer novamente e fechar a perfuração.

Existem duas formas de realizar a cirurgia. Uma delas é através de um corte ou incisão atrás da orelha (acesso retroauricular). Outra opção é o acesso intra-auricular, quando todo o procedimento ocorre pelo canal do ouvido. A cirurgia dura em torno de 60-90 minutos, e o paciente em geral tem alta no mesmo dia.

Como é o pós-operatório?

Não é uma cirurgia cujo pos-operatório é doloroso. Porém alguns pacientes relatam algum desconforto no local onde foi dado os pontos. Os pontos são retirados no primeiro retorno, em 1 semana. Além disso, o paciente deve ficar em repouso na primeiro semana após a cirurgia, podendo retornar as atividades diárias após esse período. Porém sem realizar exercícios físicos de moderada intensidade por 1 mês.

Logo que opera a audição fica prejudicada. Isso porque colocamos um material reabsorvível que mantém o enxerto no local e obstrui o canal auditivo. Por isso o paciente pode sentir o ouvido entupido e uma piora da audição nos primeiros dias. Essa sensação vai melhorando com o tempo, mas pode demorar até 3 meses para se recuperar completamente. Existe a chance de mesmo fazendo a reconstrução e fechando a perfuração, não ocorrer a melhora da audição, e existe uma chance muito pequena (menos de 1% dos casos) de ocorrer uma piora da audição. 

Quais as principais complicações da cirurgia para correção do tímpano perfurado?

Alguns pacientes podem apresentar tontura logo após a cirurgia por um acometimento do labirinto que fica dentro do ouvido. Além disso, é preciso cuidado no pós-operatório pois uma infecção pode atrapalhar a cicatrização adequada. Por isso, é preciso continuar evitando contato com água, fazendo uso de tampões durante o banho. 

Alguns pacientes podem apresentar um gosto metálico logo após a cirurgia pela manipulação de um nervo chamado corda do tímpano, geralmente tem melhora espontânea com o tempo.

Tem chance da cirurgia não dar certo? Infelizmente, sim. Existe o risco da perfuração não fechar completamente e ser necessário outro procedimento. Algumas coisas contribuem para isso, como o tamanho da perfuração inicial, de características pessoais de cicatrização e da inflamação crônica do ouvido. Bem como os cuidados no pós operatório, por exemplo se ocorreu alguma infecção.

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