imagem de timpano perfurado

Timpanoplastia – Cirurgia para correção do Tímpano Perfurado

Vamos falar hoje um pouco sobre a cirurgia para correção do tímpano perfurado, também chamada de timpanoplastia.

Caso você queira saber mais sobre o tímpano e o que causa a perfuração, clique aqui.

Imagem mostrando um timpano perfurado.
A cirurgia para correção de timpano perfurado resolve esse probelam

Quem deve operar?

A cirurgia para correção do tímpano perfurado é indicada para todos os pacientes que apresentam perfuração do tímpano crônica, ou seja, que já dura pelo menos 3 meses. Além disso, também levamos em consideração a idade do paciente, evitando realizar o procedimento em crianças pequenas. Não existe um consenso na literatura a respeito da idade certa, devemos levar em consideração alguns fatores. Por exemplo, o entendimento e cuidado da criança no pós-operatório, além do status do ouvido atualmente. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Além disso, é muito comum o paciente apresentar também algum grau de perda auditiva relacionada com a destruição da cadeia ossicular. A cadeia ossicular são 3 ossinhos que participam da nossa audição, o martelo, a bigorna e o estribo. Durante a cirurgia, nós avaliamos o estado deles. Caso seja necessário, podemos realizar uma reconstrução desses ossículos com cartilagem ou próteses de reconstrução.

Como é a cirurgia de correção do tímpano?

A cirurgia é feita no hospital, sob anestesia geral, o que significa que o paciente é entubado, dorme e não se lembra de nada. No procedimento, utilizamos um enxerto do próprio paciente que pode ser a fáscia do músculo temporal, um pedaço de pericôndrio ou cartilagem do próprio ouvido com o objetivo de reconstruir a membrana do tímpano. Só para exemplificar, a fáscia é uma membrana que cobre o músculo, e o pericôndrio uma membrana que recobre a cartilagem. O enxerto que utilizamos na cirurgia varia conforme o acesso e condições do paciente. Ele funciona como um suporte que permite que a membrana possa crescer novamente e fechar a perfuração.

Existem duas formas de realizar a cirurgia. Uma delas é através de um corte ou incisão atrás da orelha (acesso retroauricular). Outra opção é o acesso intra-auricular, quando todo o procedimento ocorre pelo canal do ouvido. A cirurgia dura em torno de 60-90 minutos, e o paciente em geral tem alta no mesmo dia.

Como é o pós-operatório?

Não é uma cirurgia cujo pos-operatório é doloroso. Porém alguns pacientes relatam algum desconforto no local onde foi dado os pontos. Os pontos são retirados no primeiro retorno, em 1 semana. Além disso, o paciente deve ficar em repouso na primeiro semana após a cirurgia, podendo retornar as atividades diárias após esse período. Porém sem realizar exercícios físicos de moderada intensidade por 1 mês.

Logo que opera a audição fica prejudicada. Isso porque colocamos um material reabsorvível que mantém o enxerto no local e obstrui o canal auditivo. Por isso o paciente pode sentir o ouvido entupido e uma piora da audição nos primeiros dias. Essa sensação vai melhorando com o tempo, mas pode demorar até 3 meses para se recuperar completamente. Existe a chance de mesmo fazendo a reconstrução e fechando a perfuração, não ocorrer a melhora da audição, e existe uma chance muito pequena (menos de 1% dos casos) de ocorrer uma piora da audição. 

Quais as principais complicações da cirurgia para correção do tímpano perfurado?

Alguns pacientes podem apresentar tontura logo após a cirurgia por um acometimento do labirinto que fica dentro do ouvido. Além disso, é preciso cuidado no pós-operatório pois uma infecção pode atrapalhar a cicatrização adequada. Por isso, é preciso continuar evitando contato com água, fazendo uso de tampões durante o banho. 

Alguns pacientes podem apresentar um gosto metálico logo após a cirurgia pela manipulação de um nervo chamado corda do tímpano, geralmente tem melhora espontânea com o tempo.

Tem chance da cirurgia não dar certo? Infelizmente, sim. Existe o risco da perfuração não fechar completamente e ser necessário outro procedimento. Algumas coisas contribuem para isso, como o tamanho da perfuração inicial, de características pessoais de cicatrização e da inflamação crônica do ouvido. Bem como os cuidados no pós operatório, por exemplo se ocorreu alguma infecção.

Me acompanhe nas redes sociais para mais conteúdos sobre doenças do ouvido:
Instagram: @draanamariana.otorrino
Facebook: /draanamariana.otorrino

IMG_8387

Perda auditiva condutiva – causas e tratamentos

O que é a perda auditiva condutiva? Quais são as principais causas e opções de tratamento?

perda auditiva condutiva
Imagem ilustrativa de membrana do tímpano perfurada

Primeiro de tudo, o que é uma perda auditiva de condução?

As perdas auditivas são divididas em dois grandes grupos. Uma perda de audição pode ocorrer por uma alteração da cóclea e nervo auditivo. Neste caso sendo chamada de perda auditiva sensorioneural. Mas também pode ocorrer por qualquer fator que atrapalhe a chegada do som até a orelha interna. Nesse caso, o problema está na condução do som, por isso a perda auditiva é chamada de condutiva ou de condução. 

Nesse artigo iremos focar apenas nas perdas auditivas de condução. A fim de facilitar a compreensão, vamos analisar cada uma das estruturas envolvidas na transmissão do som até a cóclea. Assim conseguimos entender exatamente como elas podem causar uma perda de audição.

Como funciona nossa audição?

Primeiramente precisamos aprender como funciona nossa audição. O som é captado pelo pavilhão auditivo e levado pelo conduto auditivo externo até a orelha média. Em seguida, o som provoca uma vibração da membrana timpânica, que então é transmitida para a cadeia ossicular, até finalmente chegar a cóclea. A cóclea é nosso órgão da audição. Ela irá transformar o estímulo sonoro em impulso elétrico e mandar as informações para o cérebro. 

Na figura abaixo, vemos um desenho mostrando a anatomia da orelha. A orelha pode ser dividida em 3 partes – orelha externa, orelha média e orelha interna. Primeiro temos a orelha externa. Ela é composta pelo pavilhão auditivo e meato acústico externo. Em seguida vem a orelha média que começa a atrás do tímpano, formando uma região chamada de cavidade timpânica. É nessa região que estão os 3 ossos da audição: martelo, bigorna e estribo. Por fim temos a orelha interna. Ela é formada pelo labirinto posterior, com estruturas relacionadas com nosso equilíbrio como os canais semicirculares, e o labirinto anterior, que corresponde a cóclea e está relacionado com a audição.

Imagem ilustrativa da anatomia da orelha
Imagem esquematizando a anatomia do nosso ouvido

A imagem acima ajuda a entender a perda de condução. Todas as estruturas da orelha externa e média podem causar uma perda auditiva se não conseguirem transmitir o som de forma adequada até a orelha interna. Por isso, vamos falar especificamente de cada uma dessas estruturas, começando de fora para dentro.

Malformações de pavilhão auditivo e conduto auditivo externo como causas de perda auditiva

Primeiramente vamos falar sobre o pavilhão e conduto auditivo externo. Eles podem causar uma perda auditiva se estiverem malformados, como no caso das microtias, agenesias e estenoses do conduto. As microtias são alterações no formato do pavilhão auditivo. As agenesias e estenoses são alterações no diâmetro do conduto auditivo.

Essas alterações podem ser congênitas, presentes desde o nascimento, ou adquiridas, nesses casos causadas por traumas ou infecções. Dependendo do caso ou grau das alterações, elas podem ser corrigidas cirurgicamente. Nesses casos, se a anatomia normal foi restabelecida, a audição pode ser recuperada.

Já quando a cirurgia não é possível, existem outras opções de tratamento para reabilitar a audição. A primeira opção para maioria das perdas auditivas é o uso de aparelhos auditivos convencionais. Entretanto no caso de malformações externas, a anatomia alterada pode dificultar a adaptação desses aparelhos. Nesses casos, uma outra opção é a colocação de próteses auditivas ancoradas ao osso (PAAO).

O que são as próteses auditivas ancoradas ao osso?

PAAO são dispositivos eletrônicos colocados através de uma cirurgia. Seu objetivo é estimular diretamente a cóclea por condução óssea. Eles são compostos por um dispositivo externo que capta o som e transforma esse som numa vibração. Essa vibração vai estimular diretamente a cóclea, sem passar pelas outras estruturas da orelha. Assim ele “desvia” de todas as regiões que estão alteradas e não conduzem o som de forma adequada.

Cera de ouvido pode causar perda de audição condutiva?

Ao contrário das malformações, existem causas de perdas condutivas que podem ser revertidas mais facilmente. Uma das principais causas de perda auditiva temporária é a rolha de cerume. Quando ocorre o acúmulo de cera, ela obstrui a passagem do som pelo conduto, causando uma perda auditiva. A audição pode ser rapidamente recuperada com uma lavagem de ouvido. Da mesma forma, qualquer objeto ou secreção dentro do conduto auditivo, também podem causar uma perda de audição. Por exemplo, sangue ou secreção que acumulam durante infecções ou objetos colocados no ouvido como um pedaço de algodão.

Infecção de ouvido, as famosas otites, como causa de perda auditiva condutiva

Como já foi falado, as infecções de ouvido, chamadas de otites, também podem causar perda auditiva. As otites podem ser externas, acometendo pavilhão e conduto auditivo, até a membrana do tímpano, ou médias quando atingem a cavidade timpânica. No primeiro caso, o inchaço das paredes do conduto auditivo e o acúmulo de secreção no conduto, dificultam a chegada do som até a cóclea e assim prejudicam a audição. O tratamento da infecção é feito com uso de antibióticos. Quando a doença sara, a audição melhora também.

Já nas otites médias, ocorre acúmulo de secreção na região atrás do tímpano. Isso impede a passagem de som, causando perda auditiva condutiva. O tratamento é o mesmo com o uso de antibióticos. Ele também reverte a perda de audição. Mas em alguns casos, a secreção pode permanecer mesmo sem a infecção. Caso ela permaneça por mais de 3 meses é chamada de otite média serosa crônica. Então para resolver esses casos, quando a secreção não sai espontaneamente, é indicado uma cirurgia para colocação de um tubo de ventilação.

O que é o tubo de ventilação?

O tubo de ventilação é um pequeno cilindro que tem formato de carretel e funciona como um dreno. Ele é colocado na membrana timpânica e comunica a cavidade timpânica com o meato acústico externo. Dessa forma, ele evita o acúmulo de secreção e mantém uma pressão adequada dentro da caixa timpânica. Ao passo que ele restabelece as condições normais na orelha média, ele ajuda na recuperação da audição. Para saber mais sobre a cirurgia do tubo de ventilação, clique aqui.

Membrana timpânica e cadeia ossicular como causas de perda de audição

Finalmente agora, vamos focar na membrana timpânica e na cadeia ossicular. Ambas têm papel importante na transmissão do som até a cóclea. Pois é a vibração delas, que ajuda o som a chegar até a cóclea. Como já foi dito, a cadeia ossicular é formada por 3 ossos – martelo, bigorna e estribo. Esses ossos estão em contato direto e são articulados entre si. As alterações dessas estruturas que podem causar perda auditiva condutiva são: perfuração na membrana timpânica, malformações ou disjunções da cadeia ossicular.

Primeiramente vamos falar sobre perfurações na membrana timpânica. Elas podem acontecer após infecções de ouvido ou depois de um trauma, como o uso de cotonetes ou durante brigas.  Na grande maioria dos casos, elas cicatrizam espontaneamente. Mas quando isso não ocorre pode ser necessário fazer uma cirurgia para reconstruí-la. (Para saber mais sobre perfuração do tímpano e a cirurgia para corrigi-la, clique aqui).

As disjunções acontecem quando os ossos da cadeia ossicular perdem o contato entre si, geralmente após um trauma. Existem cirurgias que podem corrigir tanto as disjunções, como algumas malformações. Quando isso não for possível, todos esses pacientes podem se beneficiar do uso de aparelhos auditivos.

Otosclerose – principal causa de perda auditiva condutiva

Por fim, vamos falar de Otosclerose. A otosclerose também é uma doença da cadeia ossicular, no caso do estribo. Ela surge quando ocorre um endurecimento de partes desse osso, decorrentes de alterações no metabolismo ósseo. A medida que o osso vai ficando mais rígido, ele não consegue vibrar adequadamente, atrapalhando a condução do som e causando uma perda auditiva. Classicamente, essa doença acomete principalmente mulheres. Sendo que pode ocorrer uma piora importante da audição durante a gestação. Isso porque a progressão da doença está relacionada com alterações hormonais características desse período. 

Qual tratamento da otosclerose?

A otosclerose também tem um tratamento cirúrgico. Através de uma cirurgia chamada de estapedotomia, o estribo é substituído por uma prótese, recuperando a audição. Mesmo assim, existem casos, em que a doença pode progredir, acometendo também a orelha interna. Nessa situação, além da perda de condução começa a ter também uma perda auditiva sensorioneural. Quando temos os dois tipos de perda de audição juntos, chamamos esse quadro de perda de audição mista.

O tratamento nesses casos vai depender do grau da perda de audição. O uso de aparelhos auditivos convencionais é a opção para perdas leves a moderadas. Já em perdas severas e profundas, a opção é o implante coclear. Esse aparelho é um dispositivo eletrônico colocado por cirurgia. Ele funciona através de um eletrodo, que é colocado dentro da cóclea, e assim consegue estimular diretamente o nervo auditivo. Dessa forma, ele substitui totalmente a função da orelha interna e consegue restaurar a audição. Para saber mais sobre esse dispositivo, clique aqui.

Em resumo, existem muitas causas de perda de audição condutiva, e cada causa tem um tratamento específico. Assim, os pacientes com essa alteração em exames de audiometria devem ser avaliados individualmente por um otorrinolaringologista para propor a melhor opção para cada caso.


Me acompanhe nas redes sociais para mais conteúdos sobre doenças do ouvido:
Instagram: @draanamariana.otorrino
Facebook: /draanamariana.otorrino

Imagem ilustrativa de tímpano perfurado

Tímpano perfurado – tudo o que precisa saber esse problema

Tímpano perfurado – o que é, quais as causas, sintomas e como tratar!

Imagem ilustrativa de membrana do tímpano perfurada

Primeiro de tudo, precisamos saber o que é o tímpano?

Essa estrutura, também chamada de membrana timpânica, fica no final do conduto auditivo. Ela serve para separar a orelha externa da orelha média. Além de proteger a orelha média, ela também tem papel importante na audição. Quando o som chega no tímpano, ele vibra e transmite essa vibração para 3 ossinhos (estribo, martelo e bigorna). Como resultado disso, o som chega até a orelha interna, onde ele vai ser transmitido até o cérebro. Quando por algum motivo, essa membrana tem alguma falha dissemos que o tímpano está perfurado.

O que pode causar uma perfuração no tímpano?

São duas as causas principais. A primeira é por algum trauma que machuca o tímpano. Por exemplo, colocar algum objeto no canal auditivo. Pode ser pente, chave, dedo, mas o objeto mais comum de machucar é o cotonete. Além disso, o trauma pode ser causado por uma variação brusca de pressão. Isso pode acontecer por um tapa ou soco próximo ao ouvido, que desloca o ar, ou em atividades de lazer como o mergulho.

A segunda causa principal de tímpano perfurados são infecções do ouvido. Quando temos uma infecção, pode ocorrer o acúmulo de secreção atrás do tímpano. Se acumular muita secreção, pode causar uma perfuração. Nesse caso, ela ajuda a drenar parte do líquido acumulado.

O tímpano pode cicatrizar sozinho?

Sim! De fato, a grande maioria das perfurações cicatrizam sozinhas em cerca de 1 mês. Mas quando isso não acontece, pode ser necessário fazer uma cirurgia. O ideal é esperar pelo menos 3 meses. Assim temos certeza que a perfuração não vai fechar espontaneamente. A cirurgia para corrigir o tímpano chama timpanoplastia. Para saber mais detalhes sobre ela é só clicar aqui.

O que a gente sente quando o tímpano é perfurado?

No momento que acontece a perfuração, pode doer e até sair sangue do ouvido. Logo depois, algumas pessoas ainda se queixam de perda de audição, zumbido no ouvido e a sensação de ouvir um eco quando fala. Conforme o tímpano vai cicatrizando, os sintomas vão diminuindo até sumir espontaneamente.

Mas, e se a perfuração não fechar? Nesse casos, os sintomas podem variar. Enquanto algumas pessoas não sentem nenhum sintoma. Outras percebem uma perda de audição leve e um zumbido. Além disso, pode acontecer a saída de secreção do ouvido quando molhar no banho, na piscina ou se ficar resfriado.

Todo mundo precisa operar?

Depois que o tímpano perfurou, o primeiro passo é esperar para ver se ele não cicatriza sozinho. Caso ele não cicatrize, a cirurgia é uma opção. Ela é feita com o objetivo de reconstruir a membrana timpânica e assim diminuir os sintomas. Principalmente as infecções que são o que mais incomoda os pacientes.

Nem sempre a cirurgia consegue recuperar totalmente a audição. Isso vai depender de alguns fatores. Primeiro, vai depender dos ossinhos que ajudam na audição. Eles podem estar parcialmente destruídos pelas infecções recorrentes. Durante a cirurgia, pode ser realizada a reconstrução desses ossinhos, mas o resultado não é garantido. Outro fator importante é a orelha interna. Em alguns casos, ela também pode ser afetada por muitas infecções e já ter algum prejuízo no seu funcionamento.

Quais cuidados devo ter com o tímpano perfurado?

O principal cuidado é evitar ter infecções. Por isso, a recomendação é proteger o ouvido do contato com a água, com o uso de tampões. Podem ser feitos tampão caseiro com um algodão embebido em óleo ou com uso de tampões próprios para natação.

Me acompanhe nas redes sociais para mais conteúdos sobre doenças do ouvido:
Instagram: @draanamariana.otorrino
Facebook: /draanamariana.otorrino