Estapedotomia – cirurgia para otosclerose

Hoje vamos falar sobre a estapedotomia, a cirurgia para otosclerose.

Caso você queira saber mais sobre a otosclerose, clique aqui.

Quem deve operar?

A cirurgia é indicada para pacientes com diagnóstico de otosclerose. Mas devemos ficar atentos ao tipo de perda auditiva. A cirurgia terá um resultado melhor quando o paciente apresentar uma perda auditiva do tipo condutiva, quando não tem evidência de acometimento da cóclea, nosso órgão da audição. A otosclerose é uma doença do metabolismo ósseo, que afeta o estribo, um dos ossos da audição. Ela provoca o endurecimento do osso, atrapalhando a vibração sonora e dificultando a transmissão do som do ambiente externo para cóclea. A cirurgia visa substituir esse osso por uma prótese.

Quando começamos a apresentar acometimento de outras estruturas da orelha, além do estribo, sabemos que o resultado da cirurgia não é bom. Por isso, sempre que o paciente apresentar uma perda de audição do tipo mista (com componentes de perda auditiva do tipo condutivo e do tipo sensório-neural), o caso deve ser bem avaliado. O paciente precisa estar ciente que dependendo do grau da perda, pode não ocorrer uma melhora completa da audição. Já quando a perda auditiva for sensorioneural isolada, a cirurgia não é indicada. Nesses casos, os pacientes devem buscar outras opções de tratamento como por exemplo o uso de aparelho auditivos.

Como é a cirurgia da estapetodomia?

A cirurgia é feita no hospital, com anestesia geral e auxílio de um microscópio ou endoscópio. O acesso na maioria das vezes é todo por dentro do ouvido. Porem quando o canal auditivo for muito estreito, podemos fazer uma incisão próxima ao canal do ouvido para facilitar o acesso. Em geral o paciente tem alta no mesmo dia e já sai da cirurgia ouvindo bem melhor!

Na cirurgia, o estribo (osso da audição que foi acometido pela otosclerose) é substituído por uma prótese. Conforme mostrado na imagem abaixo. Dessa forma, conseguimos recuperar a transmissão do som e melhorar a audição do paciente.

imagem ilustrativa mostrando resultado da estapedotomia, a cirurgia para estapedotomia

Como é o pós-operatório?

Não é uma cirurgia que dói, apenas se for necessário realizar alguma incisão na pele o paciente pode ter algum desconforto nessa região. Alguns pacientes podem apresentar tontura logo após a cirurgia, devido a manipulação do labirinto e que melhora com uso de medicações em no máximo 7 dias.

O paciente deve permanecer de repouso nos primeiros 7 dias, podendo retornar as atividades diárias após esse período, porém sem realizar atividades físicas por 1 mês. Ficam proibidas nesse primeiro mês: viagens de avião e descer a serra, por conta da variação de pressão que ocorre dentro do ouvido. Também devemos proteger o ouvido do contato com água, que pode levar bactérias e causar infecções no ouvido, comprometendo o resultado final da cirurgia.

Como fica a audição após a estapedotomia, a cirurgia para otosclerose?

Em relação a audição, a grande maioria das pessoas já sai da cirurgia ouvindo bem melhor. Muito se fala sobre o risco de ter uma piora da audição após a estapedotomia, cirurgia para a otosclerose. Infelizmente esse risco existe. Segundo a literatura, o mais comum é o paciente apresentar ainda algum grau de perda em frequências mais agudas após a cirurgia. Também pode ocorrer a piora completa da audição de forma geral também para níveis de perda severa ou profunda. Embora seja raro, existem sim relatos dessa piora na literatura médica. A boa notícia é que com o avanço de técnicas mais modernas e menos invasivas, essa complicação tem se tornado cada vez mais incomum.

Em relação ao zumbido, é muito comum que ele melhore com o procedimento, associado principalmente com a melhora da audição. Porém isso varia bastante entre os pacientes.

Quais as principais complicações da estapedotomia, cirurgia para otosclerose?

Alguns pacientes podem apresentar um gosto metálico logo após a cirurgia pela manipulação de um nervo chamado corda do tímpano, geralmente tem melhora espontânea com o tempo.

Além disso, também existe o risco de ficar uma perfuração na membrana do tímpano por conta da manipulação cirúrgica. Mas, em geral, ela fecha espontaneamente e em casos raros pode ser necessário uma timpanoplastia no futuro. (Caso queira saber mais sobre tímpano perfurado, clique aqui)

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